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Como Montar o Orçamento de um Projeto Social para Editais: Guia Passo a Passo para ONGs e OSCs

11 min

Aprenda a montar um orçamento de projeto social detalhado, alinhado às exigências de editais e convênios. Guia prático para ONGs e OSCs brasileiras em 2026.

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Por Que o Orçamento É a Peça Mais Eliminatória de um Projeto Social

Você passou horas escrevendo a justificativa, caprichou nos objetivos, montou indicadores consistentes — e ainda assim seu projeto foi desclassificado. Se isso já aconteceu com a sua organização, há grandes chances de o problema estar no orçamento.

O orçamento de um projeto social não é apenas uma tabela com números. Ele é a tradução financeira de tudo o que você prometeu fazer. Avaliadores de editais — seja do [Fundo Brasil de Direitos Humanos](https://www.fundobrasil.org.br), do [Itaú Social](https://www.itausocial.org.br), de chamamentos públicos via [Transferegov](https://www.gov.br/transferegov) ou do [SUAS](https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/suas) — analisam o orçamento como evidência de que a organização sabe o que está fazendo, conhece seus custos reais e tem capacidade de gerir recursos com responsabilidade.

Neste guia, você vai aprender como montar um orçamento de projeto social do zero, quais são os erros mais comuns que levam à desclassificação e como adequar sua planilha às exigências de diferentes tipos de fontes financiadoras.

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O Que é o Orçamento de um Projeto Social (e o Que Ele Não É)

O orçamento de um projeto social é um documento financeiro que detalha todos os custos necessários para a execução das atividades previstas no plano de trabalho. Ele responde a perguntas como:

- Quanto vai custar cada ação planejada? - Quais recursos já existem na organização (contrapartida)? - Qual o valor total solicitado ao financiador? - Como os gastos estão distribuídos ao longo do tempo?

**O que ele NÃO é:** uma estimativa vaga, uma lista de desejos ou um número inventado para preencher o formulário. Cada linha do orçamento precisa ser justificável e rastreável até uma atividade concreta do projeto.

Um bom orçamento é, ao mesmo tempo, **realista** (cobre os custos reais), **elegível** (respeita o que o edital permite financiar) e **proporcional** (os gastos fazem sentido em relação ao que será entregue).

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Antes de Começar: Leia o Edital com Atenção Cirúrgica

Cada edital define suas próprias regras orçamentárias. Antes de montar qualquer planilha, você precisa identificar:

1. Itens elegíveis e não elegíveis

A maioria dos editais lista explicitamente o que pode e o que **não pode** ser pago com os recursos. Custos frequentemente **não elegíveis** incluem: - Obras e reformas estruturais (salvo exceções) - Pagamento de dívidas anteriores - Aquisição de imóveis - Despesas de representação ou presentes

Já os [chamamentos públicos do SUAS](https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/suas) e os convênios via [Transferegov](https://www.gov.br/transferegov) seguem normas federais específicas, como a Portaria Interministerial nº 424/2016 e as orientações do SICONV, que determinam exatamente quais naturezas de despesa são aceitas.

2. Teto de contrapartida

Muitos editais públicos exigem contrapartida — ou seja, a organização precisa entrar com uma parte dos recursos (em dinheiro ou em bens e serviços). A Lei 13.019/2014 (Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil) não exige contrapartida financeira para parcerias, mas planos municipais podem exigi-la. Verifique.

3. Limite por categoria de despesa

Alguns editais impõem teto percentual para certas rubricas. Por exemplo: "máximo de 20% do valor total para despesas administrativas" ou "não será financiada mais de 30% do custo com pessoal". Ignorar esses limites é motivo de reprovação automática.

4. Formato exigido

Alguns financiadores pedem planilhas em formato próprio (Excel baixado do site), outros aceitam qualquer formato. Plataformas como [Prosas](https://prosas.com.br) e o [Mapa das OSCs do IPEA](https://mapaosc.ipea.gov.br/editais) costumam integrar formulários orçamentários diretamente no processo de inscrição.

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A Estrutura do Orçamento: As 5 Categorias Essenciais

Independentemente do edital, a maioria dos orçamentos de projetos sociais se organiza em torno de cinco grandes grupos de despesa:

1. Pessoal e Encargos

É, na maioria dos projetos, a maior fatia do orçamento. Inclui: - Salários e pro labore de profissionais contratados especificamente para o projeto - Encargos trabalhistas (INSS, FGTS, férias, 13º) - Horas de colaboradores da própria organização dedicadas ao projeto (pode entrar como contrapartida)

**Dica prática:** Calcule o custo-hora de cada profissional multiplicando o salário bruto pela carga horária dedicada ao projeto. Documente isso. Avaliadores pedem memórias de cálculo.

2. Serviços de Terceiros

- Consultorias especializadas - Serviços de comunicação (design, vídeo, fotografia) - Prestação de serviços técnicos (psicólogos, advogados, formadores) - Locação de espaços e equipamentos

3. Material de Consumo

- Material pedagógico e de escritório - Insumos para oficinas (tecido, tinta, sementes, alimentos etc.) - Material de limpeza e higiene (em projetos de assistência)

4. Despesas de Comunicação e Divulgação

- Impressão de materiais - Impulsionamento em redes sociais - Criação de site ou landing page do projeto

5. Despesas Administrativas (Overhead)

Essa é a rubrica mais sensível e mais mal compreendida. Overhead são os custos indiretos da organização necessários para executar o projeto — aluguel proporcional, conta de luz, internet, contador. Muitos editais limitam esse item a 10–15% do valor total. Inclua, mas com moderação e sempre com justificativa.

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Como Montar a Planilha: Passo a Passo

Passo 1: Liste todas as atividades do projeto

Parte do plano de trabalho. Cada atividade gera custos. Não existe custo sem atividade que o justifique.

Passo 2: Para cada atividade, liste os insumos necessários

Exemplo: *Oficina de capacitação profissional (8 encontros, 30 participantes)* - Facilitador externo: 16h × R$ 150/h = R$ 2.400 - Material didático: 30 kits × R$ 35 = R$ 1.050 - Lanche: 30 pessoas × 8 encontros × R$ 12 = R$ 2.880 - Transporte dos participantes: 20 pessoas × 8 × R$ 6 = R$ 960

Passo 3: Classifique cada item em uma rubrica

Use as categorias do edital ou as categorias padrão descritas acima. A classificação correta é essencial para a prestação de contas posterior.

Passo 4: Calcule a memória de cálculo

Memória de cálculo é a explicação detalhada de como você chegou a cada número. Formato padrão: > **Quantidade × Unidade × Valor unitário × Período = Total**

Ex: 1 psicóloga × 20h/mês × R$ 80/h × 12 meses = **R$ 19.200**

Sem memória de cálculo, seu orçamento é apenas uma lista de números. Com ela, é um documento técnico auditável.

Passo 5: Separe o que é recurso solicitado e o que é contrapartida

Crie colunas distintas: | Item | Recurso Solicitado | Contrapartida | Total | |------|-------------------|---------------|-------| | Facilitador | R$ 2.400 | — | R$ 2.400 | | Sala de reuniões | — | R$ 800 | R$ 800 |

Passo 6: Some e confira os percentuais

Verifique se nenhuma categoria ultrapassa o limite do edital. Calcule o percentual de pessoal, de overhead, de serviços de terceiros em relação ao total.

> 💡 **Precisa de ajuda para estruturar seu orçamento e os demais itens do seu projeto? Teste o Edital ONG gratuitamente em [editalong.com](https://editalong.com) — a ferramenta foi criada para OSCs brasileiras que querem aumentar suas chances em editais sociais.**

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Contrapartida: Como Calcular e Apresentar

A contrapartida demonstra que a organização também investe no projeto — o que aumenta a credibilidade junto ao financiador. Ela pode ser:

**Financeira:** dinheiro próprio da organização destinado ao projeto.

**Não financeira (bens e serviços):** horas de voluntários, uso de espaço próprio, equipamentos cedidos. Para valorar: - Horas de voluntário: use o valor de mercado do serviço equivalente - Espaço físico: valor de aluguel de espaço similar na região - Equipamentos: valor de locação de equipamento equivalente

A Instrução Normativa nº 1/2020 da Secretaria do Tesouro Nacional e as normas do SUAS orientam como declarar contrapartida em convênios públicos.

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Erros Mais Comuns que Levam à Desclassificação

**1. Orçamento sem memória de cálculo** Os avaliadores não conseguem verificar de onde vieram os números. Isso gera suspeita e eliminação.

**2. Itens não elegíveis incluídos** Incluir um item que o edital proíbe expressamente é desclassificação imediata. Leia a lista de vedações com cuidado.

**3. Desproporcionalidade entre atividades e custos** Um projeto que vai atender 50 pessoas com orçamento de R$ 500 mil pode parecer inflado. Um projeto que vai atender 2.000 pessoas com R$ 10 mil parece inviável. O financiador faz essa conta.

**4. Overhead acima do limite** Despesas administrativas acima de 15–20% sem justificativa são bandeira vermelha.

**5. Confundir rubrica de pessoal com serviços de terceiros** Profissionais com vínculo trabalhista vão em pessoal. Autônomos e PJs vão em serviços de terceiros. A diferença afeta encargos e a prestação de contas.

**6. Ignorar o cronograma financeiro** Muitos editais exigem que o orçamento esteja vinculado a um cronograma de desembolso (quanto será gasto em cada mês ou trimestre). Não apresentar isso é erro técnico.

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Orçamento e Marco Lógico: A Conexão que Poucos Fazem

O orçamento não existe isolado. Ele precisa estar conectado ao marco lógico do projeto — a estrutura que relaciona insumos → atividades → produtos → resultados → impacto.

Quando o avaliador lê seu orçamento, ele está verificando se os **insumos financeiros** que você está pedindo são suficientes para gerar as **atividades** previstas, que por sua vez vão entregar os **produtos** prometidos.

Por isso, cada atividade do marco lógico precisa ter um custo associado no orçamento. Se uma atividade aparece no plano de trabalho mas não tem nenhum custo — ou o contrário, se tem custo mas não tem atividade correspondente — há uma inconsistência que comprometeProposta.

Fontes como a [Fundação Ford](https://www.fordfoundation.org) e a [Fundação Lemann](https://fundacaolemann.org.br) utilizam modelos baseados em teoria da mudança e resultados, onde essa coerência entre orçamento e lógica de intervenção é avaliada de forma rigorosa.

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Adequando o Orçamento a Diferentes Tipos de Financiadores

Editais públicos (SUAS, Transferegov, PNAB)

Seguem normas federais rígidas. Exigem SIAFI/SICONV, nota de empenho, prestação de contas por item. Use obrigatoriamente a memória de cálculo e o cronograma de desembolso. Consulte o [Transferegov](https://www.gov.br/transferegov) para os formulários oficiais.

Fundos privados (Fundo Brasil, Fundo ELAS, Baobá)

Tendem a ter mais flexibilidade, mas avaliam com muita atenção a proporcionalidade e a coerência. O [Fundo Brasil de Direitos Humanos](https://www.fundobrasil.org.br) financia projetos de até R$ 50 mil — o que exige um orçamento enxuto e muito bem justificado.

Empresas e institutos (Itaú Social, Neoenergia, Telefônica Vivo)

Costumam ter formulários próprios e podem exigir co-financiamento ou contrapartida da OSC. O [Itaú Social](https://www.itausocial.org.br) é um dos maiores investidores sociais privados do Brasil e avalia rigorosamente a relação custo-benefício dos projetos.

Editais municipais e estaduais (FIA/FUMCAD, cultura)

Variam muito de município para município. Para projetos com recursos do [FIA](https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/crianca-e-adolescente), os Conselhos Municipais de Direitos da Criança e do Adolescente publicam editais com regras próprias — sempre verifique o edital local.

> 📌 **Para acompanhar os editais abertos no momento e já começar a estruturar seu orçamento com antecedência, use plataformas como [Prosas](https://prosas.com.br), o [Radar de Editais do Portal do Impacto](https://www.portaldoimpacto.com/radar-de-editais) e o [Mapa das OSCs do IPEA](https://mapaosc.ipea.gov.br/editais). Elas reúnem oportunidades de todo o Brasil em um só lugar.**

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Checklist Final: Seu Orçamento Está Pronto?

Antes de submeter sua proposta, percorra esta lista:

- [ ] Todos os itens estão alinhados com as atividades do plano de trabalho? - [ ] A memória de cálculo está descrita para cada linha? - [ ] Nenhum item não elegível foi incluído? - [ ] Os percentuais por categoria respeitam os limites do edital? - [ ] A contrapartida está corretamente valorada e separada? - [ ] O cronograma de desembolso está vinculado ao cronograma de atividades? - [ ] O total bate com o valor informado no formulário de inscrição? - [ ] O orçamento está no formato exigido pelo edital (planilha, PDF, sistema online)?

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Como o Edital ONG Pode Ajudar Sua Organização

Montar um orçamento de projeto social bem estruturado exige tempo, conhecimento técnico e atenção a dezenas de detalhes — especialmente quando sua equipe está sobrecarregada com a execução de outros projetos em andamento.

O **Edital ONG** ([editalong.com](https://editalong.com)) é uma ferramenta desenvolvida para apoiar ONGs, OSCs, associações e coletivos brasileiros no processo de elaboração de projetos sociais. Com ele, você consegue organizar as informações do seu projeto de forma estruturada, garantir a coerência entre plano de trabalho e orçamento e gerar documentos no formato esperado pelos principais editais do país.

Não se trata de uma solução mágica — um bom projeto ainda exige conhecimento do território, dados consistentes sobre o problema que você quer resolver e clareza sobre os resultados que pretende alcançar. Mas contar com uma ferramenta que organiza esse processo pode fazer a diferença entre uma proposta eliminada por erro técnico e uma proposta que chega à fase final da avaliação.

Se sua organização está se preparando para disputar editais em 2026 — seja do SUAS, de fundos privados ou de chamamentos públicos municipais — vale a pena conhecer o Edital ONG e ver como ele pode se encaixar na rotina da sua equipe.

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